Entrevista com o Embaixador José Borges dos Santos Júnior

Entrevista com o Embaixador José Borges dos Santos Júnior

Entrevista com o Embaixador José Borges dos Santos Júnior

De acordo com a Comissão de Relações Exteriores o Embaixador brasileiro José Borges dos Santos Júnior recebeu autorização dos governos da Suíça e do Principado de Liechtenstein para atuar dentro dos respectivos territórios em abril de 2015. A escritora brasileira Alexandra Magalhães Zeiner entrevistou o embaixador logo após a entrega dos certificados de honra aos participantes da I Exposição de Literatura da Casa Brasil de Liechtenstein, na IV Juni Fest, em junho desse ano.

Senhor Embaixador José Borges, nos conhecemos pessoalmente em uma ocasião auspiciosa, a IV Juni Fest da Casa Brasil de Liechtenstein 2017. Na ocasião escritores, editoras e associações de brasileiros residentes no exterior receberam certificados de honra, em reconhecimento ao trabalho prestado durante o evento assim como nas comunidades onde residem. A Suíça e o Principado de Liechtenstein são considerados ”ilhas”, localizados no centro da Comunidade Européia, possuindo características próprias. Na sua opinião, como isso é refletido nas comunidades brasileiras residentes nesses países?

Nossa representação em Berna não conta com Setor Consular, por isso meu contato com a comunidade brasileira acontece, frequentemente, no contexto de iniciativas de promoção cultural.
Nesses contatos, tenho observado que a comunidade residente na Suíça e em Liechtenstein é muito diversa, bem integrada à sociedade local e bastante ativa na divulgação de nossos costumes, de nossa língua e de nossas tradições.
Com a Suíça temos um importante vínculo histórico: a imigração suíça, principalmente na região de Nova Friburgo (RJ). Temos valores compartilhados e uma natural simpatia mútua. Esses pontos em comum certamente facilitam a integração.

A Casa Brasil de Liechtenstein é pioneira na divulgação da arte e cultura brasileira no Principado. A presidente Denise da Cruz incentiva a divulgação e o ensino do português para a comunidade local e países vizinhos. Isso significa que o idioma português vem conquistando mais visibilidade na Europa, impulsionado por muitos que trabalham, direta e indiretamente, com o Brasil, por exemplo. O Senhor acredita que isso influencia ou influenciou as relações culturais entre o Brasil e a Suíça na atualidade?

Para mim, é uma enorme satisfação poder colaborar com a Denise da Cruz e com a Fundação Casa Brasil de Liechtenstein. A senhora Cruz, assim como muitos brasileiros que conheci na Europa, se dedica de forma voluntária, a um importante trabalho de divulgação cultural e artística, feito com muito empenho e dedicação.
O aprendizado de uma língua estrangeira desperta o interesse em conhecer melhor a cultura do país onde esse idioma é falado. Quando o estrangeiro começa a aprender o português, passa a se interessar mais pela cultura do Brasil, pela história do país e por suas manifestações culturais. Essa aproximação inicial pode propiciar a abertura de portas para intercâmbios em outras esferas: comércio, cooperação educacional, etc.

A taxa de desemprego na Suíça é baixa, mesmo quando comparada à Comunidade Européia, e este fato atrai um número maior de estrangeiros interessados em emigrar para o país. No entanto, a maioria desconhece os desafios de adaptação envolvidos no processo. O que o senhor aconselharia aos brasileiros que desejam emigrar para a Suíça?

A mudança para o exterior, mesmo que para um país desenvolvido como a Suíça, sempre traz vantagens e desvantagens. Recomendo que os candidatos procurem se informar não somente sobre aspectos práticos do cotidiano no país, mas também sobre as regras sociais. É muito importante que as pessoas tenham presente a necessidade de se adaptar aos códigos, hábitos e costumes do país onde pretendem fixar residência, facilitando com isso sua própria integração e ampliando sua bagagem cultural.

De acordo com as estatísticas do Ministério das Relações Exteriores, o número de brasileiros residentes pelo mundo já alcançou a marca de 3 milhões. Qual a mensagem que o senhor enviaria a estes brasileiros e suas famílias?

Como vocês sabem, o Itamaraty, por meio de suas representações no exterior, procura fortalecer nossos laços com as nações amigas por meio de diversas iniciativas de diplomacia cultural. Esse trabalho não é solitário, pois conta com o valioso suporte dos milhões de brasileiros que vivem fora de nosso país. Individualmente, cada uma dessas pessoas representa o Brasil, na medida em que ajudam a divulgar nossos valores e nossas tradições, promovendo o diálogo e o entendimento mútuo.
Gostaria de convidar meus compatriotas espalhados pelo mundo a compartilhar o que nosso país tem de melhor, fortalecendo nossos laços de amizade no exterior. O Brasil está passando por um momento difícil de renovação é muito importante que cada brasileiro no exterior faça um esforço individual para projetar, por meio de suas ações no cotidiano, uma imagem positiva do Brasil.
De minha parte, posso assegurar que a Embaixada do Brasil em Berna estará à disposição para apoiar esses esforços no que estiver ao nosso alcance.